CONSTRUÇÃO TRABALHA PARA TORNAR CONCRETO PROTOCOLO DE HIGIENE.

A prefeitura de Campo Grande permitiu o retorno das atividades das pequenas e microempresas de construção civil, com até 20 funcionários.

A decisão começou a valer ontem (30), mas, na chegada aos postos de trabalho, os profissionais foram surpreendidos com orientações e novos hábitos de higiene, a fim de evitar a propagação e contaminação entre os funcionários.

Além disso, o momento representou também a abertura de estabelecimentos comerciais de venda de materiais de construção, cujos proprietários, mesmo felizes pela retomada, apontam que o medo tornou-se o principal companheiro de trabalho.

Para o presidente da Acomasul (Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul), Adão Castilho, a retomada ao trabalho deve ser de cuidados redobrados para evitar a contaminação e a propagação do vírus entre os colaboradores.

Pensando nisso, a associação emitiu um informativo com algumas orientações para que sejam repassadas aos trabalhadores do setor.

“Logicamente temos uma grande preocupação com o desemprego, mas acima de tudo com a vida. Os depósitos de materiais de construção também retornaram e junto com a construção civil devem trabalhar de acordo com essas medidas de prevenção. Uma atenção que estamos tomando de orientação é para que os funcionários não transitem pelas ruas com seus uniformes. Estamos orientando para que o uniforme permaneça no barraco de obra, para que evite a contaminação. Não adianta a gente voltar para o ambiente de trabalho sem saúde”, destacou ele, que completou, ainda, que os funcionários estão recebendo ajuda de custo para se deslocar até os locais de trabalho, a fim de evitar aglomerações.

José Abelha, presidente do Sintracom- CG (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Campo Grande), pontuou a retomada como positiva, mas afirmou que o processo de volta aos trabalhos, para muitas empresas, deverá ser concretizado nos próximos dias.

“Muitas empresas não voltaram e estão adequando os seus canteiros de obras para esta nova realidade. Quem voltou são aquelas que possuem poucos funcionários, e alguns me procuraram para relatar isso, mas já garantiram que até a próxima quarta-feira (1º de abril), devem retomar de vez e dentro das regras estipuladas para o período”, destacou.

Lojas de materiais para construção voltam ao trabalho com medo.

No primeiro dia da retomada do comércio, empresários afirmam que as vendas acontecem em um ritmo positivo para o período. Foi o que alegou, por exemplo, Edval Cunha, dono da Cunha Materiais Para Construção, localizada no bairro Aero Rancho.

“Nosso movimento hoje [ontem] está normal. Tomamos algumas medidas de prevenção como as faixas para separar funcionários de clientes pelo menos 1,5 metro, além de disponibilizar lavatórios e álcool em gel na entrada.

Mesmo assim, acho que a retomada foi uma decisão precipitada, porque ainda nem entramos na semana de pico da doença, o que pode causar ainda mais impactos, já que o contato voltou. Por outro lado, pensando em garantir o salário dos funcionários, foi uma decisão necessária”, pontuou.

O empresário Lamércio Pereira, do estabelecimento Pedreiro Construção, na Vila Marcos Roberto, pontua que voltar ao trabalho representa equilibrar o medo com a necessidade de garantir um sustento para a família.

“Estamos atendendo e, pelo que eu tenho visto, o movimento está fraco. Para a economia do Estado acho que voltar é bom, mas para a nossa saúde, eu já não sei se é o mais seguro. Mesmo assim, estamos fazendo nossa parte, pois aqui estamos tentando diminuir as despesas e pensando em promoções para atrair os clientes”, finalizou.

Fonte: Jornal O Estado de Mato Grosso do Sul

0
Tags: No tags

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *